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segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Da revolução Industrial às escolas de lata

Palco das principais mudanças ocorridas no mundo, a Revolução Industrial, ocorrida na Inglaterra do século XVIII, deu um novo papel à mulher que até então vivia para criar os filhos e zelar pelo lar.
O trabalho que antes manual, feito por camponeses e artesãos, começa agora a ser feito e produzido em larga escala pelas industrias com suas máquinas, . A demanda por mão de obra cresce obrigando as mulheres, que antes tinham somente a função de cuidar da casa e educar os filhos, a abandonarem tais funções e irem para o interior dessas fábricas.
Frente a esse fato tem início a necessidade de criação de locais habilitados aos filhos das operárias enquanto suas essas trabalhavam. Nasce também um novo olhar sobre a criança e seu desenvolvimento
Os jardins de infância, idealizados por Froebel em 1840, consistiam em casas amplas, com móveis e estruturas voltadas ao tamanho da criança, onde não eram mais vistas como pequenos adultos, pensamento da idade média, mas sim como um ser humano em desenvolvimento, em resposta à escola prussiana, criada, criada em 1819.
O ideal de Froebel agradou não só a Alemanha, mas ganhou países como Inglaterra e França, vindo a desembarcar no Brasil de Dom Pedro II em 1875, trazido por Joaquim José Vieira Menezes.
Vieira Menezes abriu, segundo a história,  o primeiro jardim de infância do Brasil na cidade do Rio de Janeiro, capital brasileira à época.
Sua Majestade, como dizia os jornais, ficara encantado com a estrutura e visão pedagógica revolucionária que a escola de Vieira Menezes estava causando. O que fez com que visitasse por várias vezes a instituição.
O Brasil viveu um momento importante da sua história após 1889, pois estava constituindo-se como república, saindo de uma escravidão - não só de negros - de mais de 300 anos e, embora os jardins de infância fossem voltados às crianças de famílias ricas durante o Império, teve enorme impacto positivo na educação do Império e da visão pedagógica da infância; o que culminou na criação do primeiro jardim de infância público do país em 1896, na cidade de São Paulo, no bairro da Consolação, anexo à escola Caetano de Campos.
Não diferente do que aconteceu na Europa do século XVIII, o Brasil viveu a mecanização de processos manuais na década de 20 que levou as brasileiras às fábricas, repetindo todo o processo das operárias do outro continente. Nasce nessa época as babás, mulheres que tinham apenas a função de alimentar os filhos das operárias durante o expediente. O índice de mortalidade infantil cresce assustadoramente em decorrência da falta de higiene a que essas crianças eram submetidas enquanto sob guarda dessas babás.
Como resposta a esse fato é regulamentada, em 1923, a criação das salas de amamentação dentro das fábricas do país.
Na década seguinte, em 1932, a educação no Brasil, desde o Período Joanino, embora tenha tido abandonado a filosofia da criança como pequeno adulto e substituida pela da criança como sujeito em desenvolvimento, ainda tinha a sua educação elitista, priorizando as crianças de famílias ricas. O que move um grupo de educadores a protestar por uma “escola única, igual para todos, pública, gratuita e laica”, no movimento que ficou conhecido como Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova.
Em 1934, quando a segunda Carta Magna da República era escrita, teve, por reflexo da expressão que tiveram esses educadores, um capítulo voltado unicamente à educação, trazendo a responsabilidade da normatização da educação no país à União (conforme o art 5 inciso XIV da CF/34) o que não era visto nas constituições de 1824 e de 1891. O capítulo II dessa constituição é tido como a primeira lei de diretrizes e bases de educação no Brasil.
Piaget quando dissertou sobre o desenvolvimento infantil elucidou a importância que tem a observação dos anos iniciais, pois seus cérebro nessa fase estrutura suas redes neurais para que a fase seguinte - escolar - tenha eficácia. Porém no Brasil, mesmo depois de 18 anos da promulgação da LDB, ainda não temos a educação infantil, onde esse desenvolvimento da primeira infância é estimulado, como obrigatória.
O crescente índice de natalidade nos grandes centros urbanos tem superado o número de vagas ofertadas em creches o que causa o distanciamento dessa mãe do mercado de trabalho, a desaceleração do crescimento econômico do país e de um desenvolvimento psicogenético debilitado dessa criança, uma vez que está fora do ambiente preparado para isso.
Se entendêssemos a importância do jardim de infância para o desenvolvimento da criança e dos reflexos benéficos que essa traria à sua vida adulta e à sociedade, a militância para que houvesse expansão dos locais apropriados a ela e a necessidade de sua obrigatoriedade, assim como ocorre com a educação básica, seria uma verdade. Porém uma sociedade industrial como o Brasil, que confere o diploma de conclusão do ensino médio até ao aluno que mal sabe ler uma quadra popular e prioriza o ingresso desse analfabeto funcional ao ensino técnico do PRONATEC jamais entenderá a importância do pensamento crítico, uma vez que não há tempo para nisso refletir enquanto se aperta um parafuso na linha de montagem, pois embora tenhamos vinculado a educação escolar ao trabalho, como preconiza o parágrafo 2° do art 1° da LDB, a segunda parte do mesmo parágrafo, que disserta sobre a educação escolar ser também vinculada à prática social, na prática é abolida.












Bibliografia


FERRARI, Márcio. Friedrich Froebel. Disponível em <http://educarparacrescer.abril.com.br/aprendizagem/friedrich-froebel-307910.shtml>. Acesso em: 23 de setembro 2014;
FURTADO DO NASCIMENTO, Valéria; SOARES DE MORAES, Márcia Andréa. Froebel e o primeiro jardim de infância. Disponível em <http://educarparacrescer.abril.com.br/aprendizagem/friedrich-froebel-307910.shtml>. Acesso em: 23 de setembro 2014;
CAMARA BASTOS, Maria Helena. A primeira escola. Disponível em <http://www.revistadehistoria.com.br/secao/educacao/a-primeira-escola>. Acesso em: 23 de setembro 2014;
ÁRTICO MARCELINO, Eliane Cristina. O jardim de infância enexo à Escola Normal de São Paulo: Análise do modelo didádico-pedagógico. Disponível em <http://www2.marilia.unesp.br/revistas/index.php/ric/article/viewFile/74/76>. Acesso em: 23 de setembro 2014;
Anos 60 - Desenvolvimento Industrial. Disponível em <http://www.irbbrasilre.com/conheca-o-irb/nossa-historia/anos-60-desenvolvimento-industrial/>. Acesso em: 23 de setembro;
BRASIL, Constituição (1824). Constituição Politica do Imperio do Brazil. Disponível em <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao24.htm>. Acesso em: 23 de setembro 2014;
BRASIL, Constituição (1891). Constituição da República dos Estados Unidos do Brasil. Disponível em <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Constituicao91.htm>. Acesso em: 23 de setembro 2014;
BRASIL, Constituição (1934). Constituição da República dos Estados Unidos do Brasil. Disponível em <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Constituicao34.htm>. Acesso em: 23 de setembro 2014;
Brasil, Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Disponível em <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicaocompilado.htm>. Acesso em: 23 de setembro 2014;
BRASIL, LDB. Lei 9394/96. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Disponível em <http://portal.mec.gov.br/arquivos/pdf/ldb.pdf>. Acesso em: 23 de setembro 2014;

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

A ágora virtual

A web 2.0 é um claro exemplo do direito previso no inciso IV do art. 5 da nossa Carta Magna:


"é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato"

Atentando-nos à primeira parte do inciso, que trata da "livre manifestação do pensamento", podemos aludir o espaço virtual como a antiga ágora grega, praça onde se encontravam as pessoas para discutirem filosofia e política, berço da democracia.
Quase todos os nossos alunos hoje são produtores de conteúdos na rede, seja por meio de blogs, redes sociais, ou qualquer outra plataforma virtual. A necessidade de mostrar a sua identidade e de se relacionar com pessoas de mesmas posições é algo inegável, tornando o ciberespaço em uma ágora virtual.
A partir da observação dessa mudança de cultura, cabe ao professor trazer essa realidade para dentro de sua sala de aula, pois a educação digital por si só, assim como o processo de ensino-aprendizagem, não existe sem uma intenção e intervenção pedagógica por parte do educador.



  • Youtube pode ser palco para uma aula de revisão;
  • Um grupo no Facebook pode ser um ambiente para troca de ideias, de conhecimento e compartilhamento de relatórios e folhas de aula;
  • Uma conta no Twitter pode disseminar dicas e macetes para a fixação do conteúdo trabalhado em sala;
  • Skype (assim como Youtube e Facebook) pode ser usado para intercâmbio cultural com alunos do mundo inteiro.


Assim como o fuzil na mão de um Soldado pode manter a paz e esse mesmo fuzil na mão de um bandido, a guerra, a web 2.0 será benéfica ao desenvolvimento escolar de nossos alunos se soubermos como utilizá-la a nosso favor, ou tecnicamente falando, se tivermos intenções pedagógicas para elas. Mas é muito mais cômodo eu proibir o uso de celulares e outros dispositivos tecnológicos que dê ao meu aluno acesso à web 2.0, onde esse é disseminador, consumidor e autor de conhecimento, a ter de me adaptar a essa realidade. Afinal, sala de aula é composta por um professor conhecedor de todos os mistérios que há entre os céus e a terra, 30 “sem luz” enfileirados,  militarmente disciplinados e com suas cabeças conectadas a funis por onde passará todo o conteúdo dos antigos e amarelados livros que vomitarei sobre eles, além, é claro, do quadro negro e do pó de giz.



sexta-feira, 30 de maio de 2014

História da Educação no Brasil Império - Período Joanino

 La Liberté guidant le peuple - Eugène Delacroix
Dom João XVI
A Europa viu-se divida entre França e Inglaterra no final do século XVIII, quando trabalhadores franceses cansados da opressão do governo absolutista da monarquia lideravam uma revolta por melhoria de condições de vida no que ficou mundialmente conhecida como a Revolução Francesa.
Dom João VI, Rei de Portugal, mantinha vínculos com as duas  nações em conflito, mas recebera um ultimato para posicionar-se em relação à revolução.
Napoleão Bonaparte
A aliança com a Inglaterra lhe permitia usufruir da segurança da marinha britânica, a melhor da época, porém essa decisão lhe custaria o trono uma vez que tropas de Bonaparte se posicionavam na Espanha, prontas para invadir o território luso. A aliança com a França pouparia Portugal das barbáries francesas, porém resultaria no bloqueio de sua saída para o mar. Dom João decidiu aliar-se à Inglaterra, mas temendo por sua vida, em 1808 deixa Portugal rumo ao Brasil, trazendo consigo a corte portuguesa e dando início ao Período Joanino.
Biblioteca Nacional,
Rio de Janeiro
Junto à corte portuguesa Dom João trouxe todo o arquivo de documentos de Portugal dando início à primeira biblioteca pública do Brasil, a atual Fundação Biblioteca Nacional, na cidade do Rio de Janeiro, pois sua intenção era governar Portugal e Brasil em terras brasileiras.
Dom João percebeu que necessitava formar intelectuais e professores no Brasil para que a imagem de colônia se extinguisse e passasse a ter as características de uma monarquia. Movido por essa razão e assistido por Araújo de Azevedo, o Conde da Barca, promulga a instauração da Missão Francesa, que consistia em trazer os intelectuais franceses para moldar a educação do agora Brasil Império.
Serradores - Debret
Fizeram parte da Missão Francesa, entre outros, Jean-Baptiste Debret, famoso por retratar o cotidiano nas terras brasileiras e Joachim Lebreton, um dos organizadores do Louvre.
A Missão Francesa, embora tenha encontrado muitas dificuldades, resultou em um grande passo na educação brasileira, mesmo que voltada à elite. Ao final dela o Brasil possuía, por exemplo, o Jardim Botânico do Rio de Janeiro, a Academia de Belas Artes, a Academia da Marinha (atual Escola Naval), a Academia Real Militar (atual Academia Militar das Agulhas Negras), inúmeras universidades que ministravam Medicina, Cirurgia, Química, Economia, Agricultura entre outros.
Academia Militar das Agulhas Negras,
Rio de Janeiro
Seus integrantes, com o passar dos anos foram vistos como subversivos e contrários à monarquia. Com o seu enfraquecimento muitos integrantes voltaram à França e os que aqui ficaram tornaram-se professores particulares, atividade comum naquela época.
Apoiados pela Inglaterra os portugueses expulsam os franceses do território luso. Em 1820 eclode a Revolução do Porto, onde cidadãos portugueses exigiam o retorno de Dom João à Portugal e a criação de uma nova constituição.
Dom João temendo perder o trono caso não retornasse, decide, em 1821, deixar o Brasil sob o comando de seu filho Dom Pedro I e retornar à Portugal.
O povo brasileiro, agora letrado, tinha senso crítico e não enxergava mais a solidez da monarquia portuguesa, fato que resulta, um ano mais tarde, na Independência do Brasil.

Bandeira brasileira do Brasil Império. Desenhada por Debret, traz os ramos de café e tabaco, as riquezas da época,  19 estrelas que representavam as províncias brasileiras (inclusive a Cisplatina, atual Paraguai), a cruz da Ordem de Cristo, elucidando a religião oficial do império, a coroa, elucidando o império e o globo armilar, que representa o cosmos.